Faz tempo que penso que tenho que escrever ao meu Santo da Serra, mas nem sempre a vontade é mais forte que a determinação de outras circunstâncias, que assim se vão sobrepondo, como as folhas de papel quem empilham a mesa de um burocrata. Há sempre algo mais importante que escrever para nós próprios, e isso é o pensar em nós próprios, sem mais. Mas a dívida acaba por acumular-se, e tal como as gotas de água numa goteira, quando se acumulam, vencem a sustenção dos bordes do metal que as sustêm e de vez em quando, acaba sempre por cair mais uma gota... e o Brasil obriga-me a reposicionar a minha existência como cidadão Europeu. Abençoado povo irmão que quero daqui abraçar.
Santo da Serra
Um espaço para as memórias à deriva que me são trazidas pelo Santo da Serra. Uma terra onde o tempo parece querer parar para apreciar melhor os seus encantos e que pede a benção do meu padroeiro, Santo António, um santo universal.
domingo
Faz tempo que penso que tenho que escrever ao meu Santo da Serra, mas nem sempre a vontade é mais forte que a determinação de outras circunstâncias, que assim se vão sobrepondo, como as folhas de papel quem empilham a mesa de um burocrata. Há sempre algo mais importante que escrever para nós próprios, e isso é o pensar em nós próprios, sem mais. Mas a dívida acaba por acumular-se, e tal como as gotas de água numa goteira, quando se acumulam, vencem a sustenção dos bordes do metal que as sustêm e de vez em quando, acaba sempre por cair mais uma gota... e o Brasil obriga-me a reposicionar a minha existência como cidadão Europeu. Abençoado povo irmão que quero daqui abraçar.
terça-feira

Estamos às vezes tão longe e tão perto, que não distinguimos a saudade da esperança. Tudo se une numa fusão de sentimentos: meio-dia não é o mesmo que 5 da tarde, e no entanto quase que podemos distinguir as diferenças sem ser pela cor do sol ou pelo comprimento das sombras... Seja pelo bulício que desaparece ou se instala, pelo golpe de ar que nos chega nesse momento ou pela simples sensação transcendente de estarmos num planeta distante algures nos confins de um universo: que bonito é viver na Terra, que bom é poder partilhar este sentimento de estar em Paz com toda a gente.

Quero agradecer à Ordem da Cavalaria do Sagrado Portugal terem feito a fotografia mais perto daquela que eu idealizei para este artigo. Depois de a ver no seu contexto original acho que é ainda a melhor fotografia que eu alguma vez podería ter feito ao escrever sobre "o tão desejado regresso à Serra Mãe..."
Acredito nas coincidências, pois também eu em breve vou voltar a ver o Santo da Serra, se Deus quizer! É preciso imaginar a feitura desta foto. O companheirismo, a amizade e a solidão que foi necessária para captar esta imagem. A saudade que provoca em mim a distante Serra de Sintra, na sua linha tão particularmente humedecida pelas nuvens que nela se aconchegam. Em quase nada se parece com o meu Santo e no entanto, há algo que nos une permanentemente: O Santo da Serra é universal, ele está em todas as Serras de Portugal.
domingo

As pessoas que ainda não se aperceberam da infinita beleza do Santo, são aquelas que quando lá vão e regressam, não têm vagar para apreciar o bonito que é chegar ao Funchal vindo da Serra.
Faz falta viajar no tempo e imaginar.... perceber que chegar do Santo e descer à cidade é como chegar em balão, mas passo a passo.
Os aromas trazem-nos as lembranças da água da chuva que seca ao sol. A saborosa frescura das levadas que parecem deitar fora um imenso manto de saudade que circula nas entranhas desta ilha. Saudade de quê? Saudades do infinito do mar que não nos deixa ver o futuro? São as saudades dos poucos, depois de alguns e de mais outros que chegaram a esta ilha vindos de qualquer parte e dispostos a tudo para encontrar a sua felicidade. Nesta e em qualquer parte do mundo.
quinta-feira

O que tem de especial o "Santo da Serra"? Impossível descrever com palavras, haverá que respirar aquele ar, e ver passar à nossa frente as deliciosas descrições de Eça ao mais eternecedor dos locais, onde o convívio e a amizade entre as pessoas ganham outras proporções.... Ou não estivessemos nós na Madeira, terra de paixão e de saudade.
terça-feira

Este é um dos caminhos para o Santo da Serrra. Temos que ter cuidado para evitar todo o percurso que seja mais directo. O melhor trajecto é aquele que se faz mais devagar. Por vezes sinto que em cada viagem pelos caminhos das freguesias, o tempo não volta para trás nunca mais e o sabor deste "antigamente" que é vivido no momento presente se perde para sempre. Ah que pena não termos uma máquina para captar as memórias, mas que as pudesse reproduzir de um modo que as vivessemos como no presente. Uma máquina de viajar no tempo...
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